Feeds:
Posts
Comentários

Importante

Preciso fazer um esclarecimento, por conta de um boato que tá rolando lá pelo Ribeirão da Ilha e estão dizendo que tu começou depois de eu ter escrito algo aqui.

 

Vou escrever em caixa alta pra dar bastante ênfase no que eu vou dizer.

 

MINHA MÃE NÃO ESTÁ DOENTE.

NUNCA ESTEVE.

NINGUÉM AQUI EM CASA ESTÁ DOENTE. NINGUÉM FEZ CIRURGIA, A NÃO SER EU HÁ QUASE UM ANO, DE REDUÇÃO DO ESTÔMAGO, O QUE NÃO É SEGREDO PRA NINGUÉM.

MINHA MÃE ESTÁ MAGRA, SIM, ELEGANTÉRRIMA PORQUE ELA CUIDA BASTANTE DA ALIMENTAÇÃO E ESTÁ SUPER DISCIPLINADA. SÓ! NÃO EXISTE NENHUMA DOENÇA.

ELA FOI VIAJAR, SIM, A PASSEIO, COMO FAZ TODO ANO.

NINGUÉM AQUI ESTÁ ESCONDENDO NENHUMA DOENÇA. BASTA OLHAR! QUEM ESTÁ PENSANDO ISSO, PERGUNTE PRA QUEM NOS VIU ULTIMAMENTE.

AO INVÉS DE FALAREM, POR FAVOR, LIGUEM PRA SABER SE É VERDADE. SE QUISEREM CONTINUAR REZANDO PELA NOSSA SAÚDE, NÃO TEM PROBLEMA. MAS SAIBAM QUE ESTAMOS TODOS MUITO BEM, OBRIGADA, VIVENDO NOSSAS VIDAS NORMALMENTE, TRABALHANDO, SEM NENHUM CONTRATEMPO.

EU ESPERO SINCERAMENTE QUE EU TENHA SIDO CLARA.

NÃO SEI DE ONDE SURGIU QUE EU ESCREVI EM QUALQUER LUGAR QUE MINHA MÃE NÃO TÁ BEM.

MAS JÁ QUE FALARAM ISSO, VIM ESCLARECER.

MAIS UMA VEZ EU REPITO:

MINHA MÃE NÃO ESTÁ DOENTE, NINGUÉM EM CASA ESTÁ, ESTAMOS TODOS MUITO BEM.

SE EU NÃO TIVER SIDO SUFICIENTEMENTE CLARA, NOS LIGUEM E PERGUNTEM.

ESTAMOS NO ESCRITÓRIO E O TELEFONE É O MESMO DE SEMPRE.

OBRIGADA!

 

Anúncios

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ……… ………… …………. ………… ………. ……….. …………. ………… ………… ………… ……… ……….. ………… ………… sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.

 

 

caio fernando abreu!

Dia 13 de abril é dia do Hino Nacional. A maioria das pessoas não sabe disso, e nem eu sabia, até que fui tomada por uma curiosidade quase científica um dia desses. Estava eu assistindo televisão – não lembro o programa e também nada interessa – e ao escutar o Hino, vi-me arrepiada pelas notas da música que representa o país.

Fui pesquisar e descobri coisas fantásticas a respeito do Virundu – inclusive que esse termo é uma espécie de união do “Ouviram do”. Em algum lugar li que antes do atual, muitos outros ocuparam a vaga de hino oficial. Num outro artigo, soube que em 1936 o hino tornou-se obrigatório nas escolas e um tempo depois Getúlio decretou que nenhum brasileiro seria empregado sem conhecer o hino.

De alguma forma, lamentavelmente, o hábito se perdeu e o hino só é lembrado em dia de jogo do Brasil. Multidões imensas se mostram emocionadas com a melodia e aclamam com aplausos ruidosos o nosso símbolo de pátria – cabe aqui lembrá-los de que aplaudir o hino é uma grandiosissíma demonstração de falta de respeito, existe uma lei para isso.

Entre os que cantam, muitos mal sabem a letra – quem nunca cantou “margarida” ao invés de “mais garrida”? Dos que sabem, poucos entendem realmente. Tenho vontade de chorar só de pensar que muita gente entende a música “Dako é bom”, mas tem dificuldades em compreender a primeira estrofe do hino.

Em 2002, o nosso foi considerado pelo jornal inglês The Guardian,  o Hino mais bonito do mundo. No Brasil, no entanto, nossa relação com tal símbolo é mecanizada. Cantamos o Hino em solenidades civis, e muitas vezes, achamos uma grande chatice. Perdemos nossos valores patrióticos. Porque, errôneamente,  brasileiro gosta mesmo do Hino é em época de Copa do Mundo.

texto escrito em 2006. lembrei dele hoje já que hoje é o Dia do Hino Nacional!

xoxo

um pequeno texto de rubem alves, pra trazer o blog de volta a vida.

[A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para se mesma: “preciso envolver essa areia pontuada que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire pontas…” outras felizes não fazem pérolas… Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída… Por vezes a dor aparece como aquela coisa que tem o nome de curiosidade. Este livro está cheio de areias pontudas que me machucaram. Para me livrar da dor, escrevi]

. 4ª capa do livro “Ostra Feliz Não faz Pérolas” de Rubens Alves .

Enfim é oficial…

estou me mudando para São Paulo dia 26 de fevereiro. de vez. pra sempre, de mala e cuia.

fiz um blog novo pra compartilhar essa nova experiência com quem passa por aqui.

então viste jullyemsaopaulo.wordpress.com

a propósito, como os blogs tem objetivos diferentes, este continua ativo.

meme selo

A Quel me indicou pra uma brincadeira dessas que eu adoro.

a gente precisa escrever seis coisas aleatórias sobre a gente e convidar seis pessoas a fazerem a mesma coisa. so let’s go.

as outras regras estão aqui:

Regras.
– Colocar o link de quem te indicou para o meme-selo;
– escrever essas 5 regras antes de seu meme para deixar a brincadeira mais clara;
– contar seis fatos aleatórios sobre você (essa é a proposta da brincadeira);
– indicar seis blogueiros para continuar a brincadeira;
– avisar esses blogueiros que eles foram indicados.

1)  eu sofro de amnésia cibernética. penso várias coisas bacanas, principalmente no trânsito e fila de suermercado, mas quando sento para escrever já não me lembro mais o que queria dizer. tenho certeza de que os melhores textos da minha vida perdi por falta de um gravador.

2) sou completamente viciada em cremes victoria’s secrets, tenho várias fragâncias. também adoro ir pra salão de beleza, pintar cabelo, fazer massagem, ter as unhas feitas, adoro terapias alternativas, vivo tomando floral e sempre tenho óleos de aromaterapia, detesto ter pêlos – ou pelos, enfim. tenho mania por brincos grandes, bolsas e tudo que tem brilho.

3) mais do que tudo, sou viciada em livros. leio muito, o tempo todo, pelo menos 1 por semana. detalhe: não consigo ler livro emprestado, portanto, acabo comprando bastante, e minha coleção é bastante significativa. há uns dois anos, venho juntando material pra escrever o meu, mas andei meio insegura nos últimos meses e desfoquei desse objetivo. mas tem gente que diz que eu deveria anotar todas as teorias que tenho sobre a vida e fazer disso um livro e oferecer palestras – eles dizem que eu ia ajudar muita gente. eu também acho, modéstia a parte.

4) antigamente, eu adorava montanha russa e tudo o que havia de esporte radical. até saltei de pára quedas uma vez. É maravilhoso! quis muito repetir a dose, mas acabou não rolando, por força das circunstâncias. Hoje em dia, tenho verdadeiro horror a altura, não paro nem em sacada alta. queria ter coragem pra saltar de novo, mas confesso que desenvolvi esse medo absurdo. é uma pena!

5) algumas pessoas me acham meio fresca pra certas coisas, mas na verdade sou muito simples. adoro tudo o que é bem do povo, tipo samba com feijoada, cachorro quente de barraquinha de rua, dançar funk, bateria de escola de samba com cerveja  e ir em jogo de futebol. ou seja, sou menos sofisticada do que eu pareço ser.

6) adoro música, o tempo todo fico escutando. tenho gosto eclético e às vezes duvidoso. consigo mudar de chico buarque para sidney magal em dois minutos, adoro música brega, principalmente aquelas dos tempos que eu era criança, tipo trem da alegria – meus preferidos – balão mágico, xuxa, paquitas e por aí vai. adoro pagode, samba, sertanejo, mpb, bossa nova, funk, rock, rock nacional. pra mim só é duro de esuctar vanerão e forró, o resto topo tudo.

bom, e os meus indicados são:

1- Júlia

2- Luisa

3- Júlio

4- Arielli

5 – Daniela

6- Aline

lembrando que é só uma brincadeira, não é nenhuma corrente. portanto, só responde quem quer e quem não quiser não terá nem um segundo de azar.

Lua na Paulista

lua

E ela estava lá, a Lua. Brilhando, linda, majestosa na Avenida Paulista. Ué, dá pra ver a Lua na Paulista? Dá sim, meu amor, é só olhar pro céu que ela está lá, abençoando o que acabou de começar e o quê a gente não quer que acabe tão logo. As pessoas nessa cidade não a vêem porque não procuram, e ela não vem bater na porta de ninguém, infelizmente. Mas continua lá, pros que tem a ousadia de buscar mesmo quando duvidam que podem achar. Ou os que têm o brilho nos olhos, aquele brilho que acharam que tinham perdido, e por isso mesmo buscam tudo o que brilha no céu.

E a gente estava lá. Eu deixando você entrar e você parando na porta. Eu acreditando que poderia dar certo e você com medo do passado. Eu com medo de dar errado e você preso ao passado. Eu enchendo sua vida de luz e você ocupando os espaços onde antes tinham sombras.

E então eu resolvi voltar. Voltei pra casa e pra minha realidade. Foi só porque eu tenho essa mania de fugir de tudo o que pode me prender. E quis evitar meu hábito antigo de maltratar quem eu acho que pode me fazer chorar. Foi por causa desse meu pavor de rejeição, então rejeito antes. E preferi retomar meus dias em tons pastéis pra não enfrentar a dor de perder os coloridos.

E aconteceu só porque eu gosto de tudo o que é difícil. É porque te quero inteiro. E é porque você precisa de tempo e eu não tenho paciência. E é porque eu já fico apavorada com as promessas que acho que não vou poder cumprir. E é porque nós dois já sabemos a resposta. Foi porque, apesar de todos os receios, meio sem querer, nós – eu aí e você aqui – já tínhamos entrado.